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América Latina e Caribe nunca esquentaram tão rápido quanto agora, diz relatório da OMM

Funcionário da Coordenadoria Geral de Obras de São Paulo se refresca durante dia de calor intenso na capital. Marcos Serra Lima/g1
A América Latina e o Caribe estão esquentando no ritmo mais acelerado desde o início das medições, em 1900. É isso o que mostra o relatório anual "Estado do Clima na América Latina e no Caribe", divulgado nesta segunda-feira (18) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU.

O documento foi lançado em Brasília, no auditório Olacyr de Moraes, no Ministério da Agricultura e Pecuária.
Para chegar a esse diagnóstico, a OMM dividiu os últimos 125 anos em quatro recortes de 30 anos e calculou em cada um deles a velocidade do aumento das temperaturas.

O período mais recente, de 1991 a 2025, é disparado o mais quente.

O autor principal do relatório é o climatologista brasileiro José Marengo, pesquisador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
"Os sinais de um clima em transformação são inequívocos em toda a América Latina e o Caribe", afirmou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM, em comunicado.

Ela citou desde a perda acelerada de geleiras e a elevação do nível do mar até a intensificação rápida dos ciclones tropicais, o calor extremo, as enchentes e as secas.
Em 2025, ondas de calor com temperaturas acima de 40°C atingiram grandes áreas das Américas do Norte, Central e do Sul.

Mexicali, no México, marcou 52,7°C, um novo recorde nacional. No Paraguai, Mariscal Estigarribia registrou 44,8°C, e o Rio de Janeiro chegou a 44°C.
As temperaturas registradas na América Latina e no Caribe ficaram +0.40ºC acima da média.
OMM
O calor extremo, segundo a OMM, vem se tornando um problema crescente de saúde pública. A estimativa da agência aponta cerca de 13 mil mortes por ano associadas ao calor, em uma média de 17 países entre 2012 e 2021.

Mas o próprio relatório admite que o número está subestimado, porque a maioria dos países não publica de forma sistemática dados sobre mortes em que o calor foi a causa direta.

A OMM pede que esse tipo de informação passe a ser produzida com regularidade e integrada aos sistemas de alerta meteorológico.
Chuvas extremas e seca
O comportamento das chuvas mudou de forma desigual no continente, ainda segundo o relatório. Na média das últimas cinco décadas, os períodos secos ficaram mais longos e os episódios de chuva, mais intensos.
No Brasil, o cenário é dividido. O Sul vem registrando aumento na chuva anual e enchentes mais frequentes, num padrão que se estende pelo Uruguai e pelo norte da Argentina.

Já o Nordeste aparece entre as áreas que estão ficando mais secas no continente, ao lado do Chile central e de partes da América Central.

Na Amazônia, o quadro é misto. As estações secas estão mais longas, mas, quando chove, chove com mais força. As secas também ficaram mais frequentes no sul e no leste da floresta.
O ano de 2025 trouxe episódios graves em outros pontos da região. Mais de 110 mil pessoas foram atingidas por enchentes no Peru e no Equador em março. No México, chuvas em outubro deixaram 83 mortos.

Em 2025, o pH da superfície do mar atingiu o nível mais baixo já registrado em grandes áreas do Atlântico e do Pacífico próximos à região — um processo conhecido como acidificação dos oceanos, causado pela absorção do gás carbônico emitido por atividades humanas.
Houve também ondas de calor marinhas extremas no Golfo do México, no mar do Caribe e na costa chilena, episódios em que a temperatura da água fica muito acima do habitual por períodos prolongados, com impacto sobre corais, peixes e a pesca.

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