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Copa do Mundo 2026: cerca de 25% dos jogos devem ser disputados em níveis preocupantes de calor, alertam especialistas

Estádio MetLife será usado na Copa do Mundo de 2026.
ge / Camilo Pinheiro Machado
Cerca de 25% dos jogos da Copa do Mundo 2026 devem ser disputados em condições de calor consideradas preocupantes para a saúde dos atletas e torcedores.

Os dados são de uma nova análise do World Weather Attribution (WWA), publicada nesta quinta-feira (14). O levantamento revela que os riscos relacionados ao calor e à umidade extremos são muito maiores neste ano do que em 1994, quando o torneio ocorreu no mesmo continente.
De acordo com a WWA, ao menos um quarto das partidas vão acontecer em um cenário que ultrapassa os 26°C de Temperatura de Bulbo Úmido e Globo (WBGT, na sigla em inglês).

🥵De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), ele leva em consideração diversas variáveis como:
Temperatura
Umidade
Velocidade do vento
Ângulo do sol
Cobertura de nuvens
"Quando o WBGT ultrapassa 26°C, o desempenho dos jogadores pode ser prejudicado. Acima de 28°C, o risco de doenças graves relacionadas ao calor torna-se mais preocupante – não apenas para os jogadores, mas também para as centenas de milhares de torcedores em estádios e festivais ao ar livre", alerta Chris Mullington, professor do Imperial College London e um dos colaboradores do estudo.
Ele alerta que a exposição a altas temperaturas durante a prática de exercício físico intenso pode causar problemas como desidratação e insolação. Nesse contexto, a pausa para a hidratação é essencial. (entenda mais sobre os efeitos do calor no corpo abaixo)
Em dezembro de 2025, a Fifa anunciou que todos os jogos da Copa 2026 contariam com duas pausas para hidratação, uma em cada tempo das partidas. A medida tem como principal objetivo garantir as melhores condições possíveis para os atletas.
"Em todas as partidas, independentemente do local, da cobertura do estádio ou da temperatura, haverá uma pausa de três minutos para hidratação. Serão três minutos do apito inicial ao apito final em ambos os tempos”, disse Manolo Zubiria, diretor de Torneios dos EUA para a Copa do Mundo da Fifa 2026 , ao anunciar a iniciativa.
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Locais de alto risco
Os pesquisadores também mapearam quais sedes e estádios têm o maior risco de exposição ao calor.
Miami é a cidade que lidera esse ranking, com uma quase certeza de calor intenso nas partidas disputadas no local.
E o Brasil pode ser diretamente afetado por esses efeitos. Isso porque o jogo contra a Escócia, na terceira rodada da competição, vai acontecer justamente em Miami.
Kansas City, no Missouri, é outro local que pode ser muito impactado. Apesar dos horários de início das partidas serem mais tarde, o risco de calor extremo ainda é significativo.
"A partida Holanda x Tunísia, por exemplo, enfrenta 7% de chance de ultrapassar o limite de 28°C, o que, segundo as diretrizes da FIFPRO, deve levar ao adiamento", expõe a pesquisa.
No Texas, os torcedores que vão acompanhar os jogos em Dallas e Houston também devem sofrer com as altas temperaturas.

Ainda que os estádios sejam climatizados, há mais de 30% de chance de marcas acima de 28°C de WBGT serem registradas fora das arenas na maioria das partidas.
Em Nova Iorque e Nova Jersey, cidades que vão sediar a final da Copa do Mundo, também existe uma grande preocupação em relação ao calor. O risco de interrupção da partida por conta das temperaturas extremas aumentou em cerca de 50% desde a Copa do Mundo de 1994.
"O fato de a própria final da Copa do Mundo enfrentar um risco nada desprezível de ser disputada em calor em nível de 'cancelamento' deve servir como um alerta para a Fifa e para os torcedores, destacando a necessidade urgente de reconhecer que não há aspecto da sociedade que não seja afetado pelas mudanças climáticas", destaca Friederike Otto, Professora de Ciência do Clima no Imperial College London.
Os pesquisadores alertam que as mudanças climáticas provocadas pela atividade humano tornaram essas condições significativamente mais prováveis ao longo dos anos, aumentando os riscos à saúde humana nesses eventos.
Efeitos do calor extremo no corpo
Se as altas temperaturas podem levar a quadros de desidratação mesmo em condições normais, quando o assunto é a prática de exercício físico no calor, a situação pode ser ainda mais crítica.
👉Os especialistas destacam que, para os jogadores, os efeitos mais comuns são:
Câimbras
Exaustão pelo calor
Insolação
E tanto para os atletas como para aqueles que assistem, os sintomas mais sutis podem indicar que algo não vai bem com o corpo.
O desconforto pode começar como uma fraqueza muscular ou tontura que parecem inofensivos, mas já servem como sinais de alerta.
⚠️Em quadros de exaustão térmica – quando a perda excessiva de sais e líquido acontece devido ao calor – e insolação – a condição mais grave, quando a temperatura corporal pode superar os 40ºC, com risco de comprometimento neurológico – os principais sintomas são:
Tonturas
Sensação de desmaio iminente
Má coordenação motora
Fadiga
Dor de cabeça
Visão embaçada
Dores musculares
Náusea
Vômitos
Convulsões
Nessas situações de muita exposição ao sol e ao calor constante, os especialistas destacam que a hidratação é fundamental, seja para jogadores ou torcedores.
Ao longo da partida, a pausa para a hidratação faz com que a temperatura corporal reduza, aliviando a sobrecarga cardiovascular e permitindo que o organismo de recupere minimamente.

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