Denúncia relata falta de estrutura em hospital infantil do AC
A autônoma Jussara Souza, de 33 anos, mãe do Enzo, que faz tratamento contra um tipo de câncer que afeta o sistema linfático, denuncia problemas estruturais no Hospital da Criança, que funciona dentro do Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into), em Rio Branco.
Em um vídeo enviado ao g1, água do esgoto transborda e invade um corredor de acesso aos leitos da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), causando mau cheiro e transtornos para quem circula pelo local. (Veja vídeo acima)
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Nas imagens, é possível ver a água suja espalhada pelo piso enquanto ela mostra a situação enfrentada por pacientes e acompanhantes.
“Olha aí o esgoto retornando no corredor onde os pais e as crianças passam. Isso é a saúde de primeiro mundo aqui do Acre'', relata no vídeo.
A Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) informou que a situação já foi solucionada, que o problema ocorreu de forma pontual após o rompimento de uma tubulação. A equipe responsável do Into foi acionada imediatamente.
Denúncia relata falta de estrutura e esgoto transbordando em hospital infantil do AC
Arquivo pessoal
Ainda de acordo com Jussara, o problema ocorreu em um corredor próximo ao posto de enfermagem e que dá acesso aos leitos da unidade.
“É falta de respeito um esgoto estourar e vazar assim dentro do hospital. Esse corredor dá acesso a todos os leitos. Então, as crianças com baixa imunidade ficam sujeitas a pegar alguma doença”, reclamou.
Segundo ela, a situação não seria isolada e já ocorreu outras vezes, principalmente em períodos de chuva intensa. ''Essa já é a sexta vez, ou mais que acontece. Quando chove muito, a água do ralo volta”, afirmou.
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A mãe relata ainda que o mau cheiro toma conta do corredor e os pacientes e acompanhantes precisam atravessar a água acumulada para acessar banheiros e bebedouros.
“Fica aquele mau cheiro bem forte. Se for para ir no banheiro ou beber água, tem que passar por dentro dessa água. Tem dia que fica bem pior e algumas pessoas já saíram até vomitando”, disse.
Falta de álcool em gel
Jussara também reclamou da falta de álcool em gel disponível para pacientes e acompanhantes na ala da oncologia pediátrica. Segundo ela, muitos familiares precisam comprar os próprios produtos de higiene.
Além disso, ela diz que falta remédios para o tratamento dos pacientes. “Falaram que não tem álcool para deixar nos leitos. A gente precisa bastante para se higienizar e não contaminar nossos filhos”, acrescentou.
Sobre a falta de álcool para higiene, a direção esclarece que os setores da unidade seguem abastecidos normalmente com álcool em gel, não havendo desabastecimento no momento.
Em relação a medicamentos, a Sesacre diz que que os itens em falta já estão em processo de reposição e o processo administrativo foi aberto com base nas indicações da equipe técnica. O procedimento segue os trâmites normais de compra e abastecimento da rede estadual de saúde.
Obras em 2022
As instalações do Hospital da Criança foram transferidas para o prédio do Into em junho de 2022, durante o aumento de internações de crianças com síndromes respiratórias no Acre. À época, o governo informou que a mudança ocorreria para viabilizar reformas estruturais na unidade infantil.
Entre os serviços previstos estavam reorganização das enfermarias, construção de novo posto de enfermagem e adequação das tubulações hidráulicas.
Instalações do Hospital da Criança foram transferidas para o prédio do Into em junho de 2022 no AC
Reprodução/Rede Amazônica Acre
Ainda em 2022, o Ministério Público do Acre (MP-AC) ingressou com uma ação civil pública pedindo melhorias estruturais no Hospital da Criança e na Maternidade Bárbara Heliodora.
Conforme o órgão municipal, foram identificados os seguintes problemas:
Deficiência nas instalações de prevenção e combate a incêndio e pânico;
Irregularidades estruturais graves no complexo hospitalar;
Necessidade de instalação de extintores;
Correção no sistema de hidrantes e no sistema de alarme de detecção de fumaça.
Na época, uma equipe do Núcleo de Apoio Técnico (NAT) também apontou em outro relatório que faltava: gerenciamento de resíduo de serviços de saúde, infiltrações e inadequação nas instalações elétricas, indícios de contaminação do sistema de fornecimento de água potável com água de drenagem pluvial, vazamento de esgoto e despejo de material no igarapé da maternidade.
Em fevereiro de 2023, o g1 mostrou que a obra, inicialmente prevista para ser entregue em janeiro daquele ano, teve o prazo ampliado por mais seis meses. Em abril do ano passado, o governo estadual divulgou a entrega da reforma do Hospital Infantil Iolanda Costa e Silva. Na época, a Saúde afirmou que unidade foi revitalizada e a obra ampliou a capacidade de atendimento.
A reforma do hospital incluiu a renovação da rede elétrica, instalação de novos sistemas de climatização e de gás medicinal, além da adequação dos banheiros e a implantação de um sistema de combate a incêndio.
Os espaços também receberam nova pintura, pisos mais resistentes e melhorias completas nas instalações de água e esgoto.
VÍDEOS: g1





