STF mantém 'prefeito tiktoker' na prefeitura, mas investigação por corrupção continua
O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu o afastamento do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos), conhecido como prefeito tiktoker, que havia sido determinado pela Justiça Federal em 6 de novembro de 2025. Apesar da comemoração do prefeito nas redes sociais, a medida não encerra a investigação da Polícia Federal por suspeita de corrupção, na qual ele já foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF).
Manga foi alvo de duas operações. Na primeira, chamada Copia e Cola, em maio de 2025, sua casa foi alvo de busca e apreensão. Na segunda, em novembro, ele foi afastado do cargo por 180 dias, retornando ao cargo em 31 de março por decisão do ministro Kassio Nunes Marques. A decisão foi acompanhada pela Segunda Turma do STF, por unanimidade.
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Na segunda-feira (11), Manga publicou um vídeo nas redes sociais comemorando a decisão. "Glória, glória a Deus. Depois de ser acusado injustamente de desvios de recursos, hoje recebi essa notícia cheio de alegria. O STF formou maioria para nos manter no cargo na Prefeitura de Sorocaba, pois achou ilegal o que fizeram comigo."
Rodrigo Manga assumiu novamente a prefeitura de Sorocaba após decisão do STF
Reprodução / TV TEM
A defesa do prefeito, representada pelo advogado Daniel Leon Bialski, afirmou que "não havia e não há motivos para que o prefeito tivesse sido afastado" e que ele "exercerá seu mandato até o final e comprovará sua plena inocência".
A assessoria do prefeito afirmou que o STF "reconheceu a ausência de provas no processo e considerou ilegal e desproporcional a medida anteriormente aplicada. A decisão permite que o prefeito siga exercendo normalmente suas funções à frente da Prefeitura de Sorocaba, mantendo o foco no trabalho e na continuidade das ações da administração municipal."
Entenda: o que a decisão do STF significa?
Os seguidores do prefeito também comemoraram a decisão, entendendo que todo o processo contra o prefeito havia sido encerrado, mas o que ocorreu foi apenas uma parte de toda a ação.
A decisão do STF, que foi unânime na Segunda Turma, refere-se apenas à medida que afastou o prefeito do cargo por 180 dias. Os ministros entenderam que essa punição era desnecessária e desproporcional no momento atual da investigação.
Contudo, isso não significa que o processo acabou ou que o prefeito foi inocentado. O advogado criminalista Murilo Raszl Cortez explica: "A decisão do STF não implica interrupção das investigações, as quais prosseguem normalmente".
Ainda segundo o advogado, mesmo que a denúncia do MPF seja aceita pela Justiça, isso marcará apenas o início de um processo criminal, no qual o prefeito terá direito à defesa.
"É somente no caso de condenação, ao final deste eventual processo (que, repita-se, sequer teve início), que se atestará a culpa de Rodrigo Manga por quaisquer dos fatos investigados. Até lá, o prefeito mantém seu status constitucional de inocente e como tal deve ser tratado e retratado."
O caso tramita no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), em função do foro privilegiado de Rodrigo Manga como prefeito. Ao todo, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou 13 pessoas, incluindo o prefeito.
Na terça-feira (12), houve uma troca de relator no processo, que agora está sob a análise da desembargadora federal Renata Lotufo.





