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Nobel da Paz, iraniana Narges Mohammadi sofre danos no cérebro e tem piora no quadro cardíaco após ser transferida de prisão

Foto de Narges Mohammadi divulgada neste domingo (10) pela fundação que leva o nome da ativista. Não há confirmação sobre a data em que a foto foi tirada.
Narges Foundation Archive via AP
A ativista iraniana Narges Mohammadi, Nobel da Paz mantida presa pelo regime dos aiatolás no Irã, sofreu uma piora em seu estado de saúde, segundo informou seu instituto nesta quarta-feira (13). A fundação que leva seu nome afirmou que a ativista teve uma deterioração grave da condição cardíaca e do sistema nervoso.

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➡️ Mohammadi, de 53 anos, sofre de problemas cardíacos, que desenvolveu durante os mais de 20 anos que já passou na prisão (leia mais abaixo). Ativista pelo fim da pena de morte no Irã, ela se tornou o rosto dos protestos históricos pelos direitos das mulheres no país em 2023.

Sua fundação afirma que ela teve de ser submetida a um exame de avaliação angiográfica com urgência, que apontou "deterioração" da doença vascular e danos no cérebro.

"Os achados dessa avaliação angiográfica (.) indicam deterioração significativa e progressão da doença vascular. (.) Sua equipe médica anunciou hoje que uma parte do sistema nervoso central no cérebro, responsável pelo controle autônomo e pela regulação precisa da pressão arterial, sofreu comprometimento funcional", disse o instituto, em nota.
Nas últimas semanas, o estado de saúde da ativista se tornou crítico, segundo parentes, e, após apelos e pressão até do Instituto do Prêmio Nobel, o regime iraniano autorizou a liberdade condicional sob fiança de Mohammadi para que ela fosse levada a um hospital.

Iraniana Prêmio Nobel da Paz em 2023, Narges Mohammadi, está "entre a vida e a morte"
Mohammadi estava presa desde dezembro na prisão da cidade de Zanjan. Na prisão, ela sofreu um infarto e perdeu a consciência duas vezes, segundo seu instituto, além de desenvolver um coágulo sanguíneo no pulmão. Parentes afirmam também que ela foi espancada no presídio.

Desde que foi hospitalizada, a pressão arterial de Mohammadi tem oscilado entre extremamente baixa e extremamente alta, e ela está recebendo oxigênio para respirar e não consegue falar, segundo seu irmão.
A iraniana ainda tem 18 anos de prisão restantes.

“Devemos garantir que ela nunca retorne à prisão para cumprir os 18 anos restantes de sua sentença. Agora é a hora de exigir sua liberdade incondicional e a retirada de todas as acusações", disse a fundação à agência de notícias Associated Press.

A recomendação para que ela deixe a prisão partiu, inclusive, de uma comissão médica indicada pelo próprio regime iraniano. Após uma inspeção, os médicos declararam que, "devido às suas múltiplas doenças, ela precisa continuar o tratamento fora da prisão e sob a supervisão de sua própria equipe médica".

Mesmo atrás das grades, Mohammadi é atualmente vice-diretora do Centro de Defensores dos Direitos Humanos do Irã, organização não governamental liderada por Shirin Ebadi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 2003.
👉 E se tornou um dos principais nomes da chamada revolução feminina, a onda de protestos de mulheres no Irã que começou com a morte de Mahsa Amini.
Amini era uma jovem de 22 anos que em setembro de 2022 viajava de férias com a família pelo Irã quando foi abordada pela chamada polícia da moralidade, que fiscaliza o cumprimento das normas de vestimentas impostas a mulheres iranianas.
A jovem foi presa por "uso incorreto" do véu, segundo a polícia iraniana, segundo quem ela usava o acessório mostrando um pouco do cabelo. Dois dias depois, ainda sob custódia policial, foi internada em estado grave, com lesões na cabeça. O caso começou a chamar a atenção no país, e a jovem morreu no hospital.
Instantaneamente, a morte de Mahsa Amini desencadeou um dos maiores movimentos contra o regime do Irã.

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