O presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Mike Johnson, acusou o Canadá em 2024 de "se aproveitar dos interesses dos Estados Unidos".
No ano passado, Trump destacou o Canadá como um dos "baixos contribuintes" da Otan, dizendo a repórteres em junho: "O Canadá diz: 'Por que deveríamos pagar se os Estados Unidos nos protegerão gratuitamente?'"
O Canadá ainda está entre os membros da Otan que menos contribuem, mesmo depois de atingir a meta de 2%, de acordo com um relatório da aliança de defesa divulgado no ano passado — atrás dos EUA, Reino Unido e França.
Menos burocracia e acolhimento de estrangeiros
A capacidade do Canadá de recrutar mais militares é um sinal de que as coisas podem estar melhorando lentamente. David McGuinty, ministro da Defesa do Canadá, disse acreditar que o país poderá atingir suas metas de recrutamento antes do previsto.
A taxa de atrito, ou seja, o número de militares que deixam as forças armadas, também diminuiu ligeiramente, após ter sido descrita como causadora de "uma espiral da morte" pelo ex-ministro da Defesa Bill Blair em 2024.
Militares da ativa disseram à BBC durante uma recente operação de soberania e segurança no Ártico, no território canadense de Nunavut, que o novo financiamento é bem-vindo e, em alguns casos, que já deveria ter chegado há muito tempo.
"Estamos algumas décadas atrasados, mas pelo menos estamos tentando fazer as coisas agora", disse Alden Campbell, primeiro oficial da Força Aérea Real Canadense. Ele afirmou que as recentes mudanças na estrutura salarial levaram a um aumento no moral, assim como a promessa de equipamentos modernizados.
"Espero estar em uma idade e em um momento da minha carreira em que eu possa me beneficiar dessas atualizações", disse ele.
Militares durante desfile anual da Liberdade em Toronto.
AFP/Getty Images via BBC
No final de abril, as Forças Armadas Canadenses anunciaram que haviam alistado mais de 7.000 novos membros no último ano fiscal – o maior número de novos recrutas em três décadas.
Esse número representa uma fração do total de pessoas que manifestaram interesse em ingressar nas forças armadas.
Em fevereiro, as inscrições confirmadas nas Forças Armadas Canadenses quase dobraram em relação ao ano anterior, passando de 21.700 para 40.116, de acordo com dados compartilhados com a BBC pelo Departamento de Defesa Nacional do Canadá.
Esses números refletem os candidatos que enviaram os documentos necessários para confirmar sua elegibilidade. O número total de inscrições foi muito maior, chegando a quase 100.000 no último ano.
É um grande salto em relação a 2019-2020, quando cerca de 36.000 pessoas se inscreveram.
Travis Haines, tenente-coronel das Forças Armadas Canadenses, disse à BBC que acredita que o aumento no recrutamento está em grande parte ligado à redução dos entraves burocráticos pelas forças armadas.
As Forças Armadas do Canadá têm sido criticadas há muito tempo por sua incapacidade de analisar e integrar candidatos rapidamente, e recentemente digitalizaram alguns elementos do processo de inscrição — incluindo a permissão para o envio eletrônico de documentos — para agilizar o processo.
"Sempre houve interesse", disse Haines. "Era apenas difícil navegar pelo sistema."
Outra mudança significativa no recrutamento nos últimos anos foi a abertura das inscrições para residentes permanentes do Canadá, em vez de apenas cidadãos — uma mudança que entrou em vigor em 2022. Estrangeiros representaram cerca de 20% dos novos recrutas do ano passado.
O Canadá agora está planejando uma grande expansão de suas forças armadas, com planos para um total de 85.500 membros do serviço regular e uma força de mobilização de até 300.000 reservistas.
Duval-Lantoine disse que o Canadá não implementa um plano de mobilização nessa escala desde 2004 — um sinal de que o país está levando em consideração a guerra em curso na Ucrânia, que, segundo ela, persiste em grande parte devido à mão de obra militar ucraniana.
O Canadá, assim como seus aliados europeus, está tentando se preparar "para futuras guerras analisando a atual", disse ela.





