Uso de produtos Ypê deve ser interrompido, alerta chefe do Procon de SP
A Ypê afirmou neste sábado (9) que triplicou a capacidade de atendimento do Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) após consumidores relatarem dificuldades para entrar em contato com a empresa em meio à crise envolvendo produtos suspensos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Em comunicado divulgado nas redes sociais, a fabricante reconheceu os transtornos e anunciou novos canais de atendimento ao consumidor.
Segundo a empresa, agora estão disponíveis três números para atendimento telefônico:
0800 002 6071 (24 horas);
0800 278 0024 (segunda a domingo, das 9h às 18h);
0800 130 0544 (segunda a sexta, das 9h às 17h).
🔗 A empresa também informou que criou um novo canal digital no site da marca (http://ype.info/comunicado) para orientar consumidores sobre os procedimentos relacionados aos produtos afetados.
O que é a bactéria encontrada em lote produtos Ypê
O comunicado foi divulgado após a Ypê informar que apresentou recurso à Anvisa contra a resolução que determinou o recolhimento e a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes da marca com numeração de lote terminada em 1.
Segundo a fabricante, com a apresentação do recurso, os efeitos da medida ficaram suspensos até novo julgamento da Diretoria Colegiada da Anvisa.
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A agência, no entanto, afirmou que mantém a avaliação técnica de risco sanitário identificada durante inspeção na fábrica da Química Amparo, em Amparo (SP), e orienta que consumidores não utilizem os produtos atingidos pela medida.
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O que motivou a decisão da Anvisa
A inspeção que levou a Anvisa a suspender a fabricação e determinar o recolhimento de produtos da Ypê tem conexão com um "histórico de contaminação microbiológica" registrado na empresa em novembro de 2025.
Em novembro do ano passado, a fabricante havia anunciado um recolhimento voluntário cautelar de lotes após identificar a bactéria Pseudomonas aeruginosa (saiba o que é a bactéria mais abaixo) exclusivamente em lava-roupas líquidos.
"A inspeção recente foi realizada justamente em razão do histórico de contaminação microbiológica e de novos elementos que indicavam necessidade de reavaliar as condições de fabricação", afirmou a agência ao g1.
O atual recolhimento de produtos abrange todos os lotes com numeração final 1 de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes fabricados na unidade da Química Amparo, em Amparo, no interior de São Paulo.
Segundo a Anvisa, a inspeção atual foi realizada entre os dias 27 e 30 de abril de 2026, em ação conjunta com o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS-SP), o Grupo de Vigilância Sanitária de Campinas e a Vigilância Sanitária municipal de Amparo.
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Os fiscais avaliaram principalmente as linhas de produtos líquidos — lava-louças, lava-roupas e desinfetantes fabricados na mesma unidade.
📝ENTENDA: As Boas Práticas de Fabricação (BPF) da Anvisa são um conjunto de normas, princípios e procedimentos técnicos obrigatórios que garantem a segurança, qualidade e eficácia de produtos como medicamentos, alimentos, cosméticos e saneantes.
Elas atuam preventivamente em toda a cadeia produtiva para evitar contaminações e riscos à saúde do consumidor.
Apesar da conexão técnica entre os dois episódios, a Anvisa esclareceu que a decisão atual está fundamentada nos achados da inspeção de abril, e não no caso de novembro de 2025, que compõe o histórico regulatório considerado na avaliação de risco.
⚠️ Questionada se há risco de contaminação microbiológica nos produtos atingidos pela medida desta semana, a agência respondeu que foi identificado risco sanitário associado à possibilidade de contaminação, considerando o conjunto dos achados.
As medidas adotadas e paralisadas — recolhimento, suspensão da fabricação, da comercialização, da distribuição e do uso — foram classificadas pela agência como preventivas e proporcionais.
Após o episódio de novembro, a Anvisa acompanhou o recolhimento voluntário e recebeu da empresa informações sobre as quantidades recolhidas e a destinação dos produtos.
O caso seguiu em monitoramento sanitário, o que motivou a nova inspeção para avaliar se as Boas Práticas de Fabricação estavam sendo cumpridas e se as medidas tomadas pela empresa eram efetivas.
O que é a bactéria encontrada em novembro
A Pseudomonas aeruginosa é um microrganismo comum no ambiente. Está presente no ar, na água, no solo e pode ser encontrado inclusive na pele de pessoas saudáveis. Ela é classificada na literatura médica como uma bactéria oportunista: raramente causa infecção em pessoas saudáveis, mas pode provocar ou agravar quadros infecciosos em pessoas com o sistema imunológico comprometido.
É justamente esse perfil que explica o teor do comunicado da empresa, direcionado especialmente a imunossuprimidos, cuidadores e profissionais de saúde.
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De acordo com o Manual MSD, referência em informações médicas, "essas bactérias são favorecidas por áreas úmidas, como lavatórios, sanitários, banheiras de hidromassagem e piscinas com cloro inadequado, e soluções antissépticas vencidas ou inativadas. Às vezes, essas bactérias estão presentes nas axilas e na área genital de pessoas saudáveis".
As infecções por Pseudomonas aeruginosa variam de infecções externas pequenas a distúrbios sérios com risco de morte, segundo a MSD.
Anvisa determinou suspensão da fabricação e recolhimento de produtos da marca Ypê
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