Ganhar cerca de R$ 5 mil por mês pode ser suficiente para colocar um brasileiro entre os 10% mais ricos do país.
A ideia pode soar improvável diante do custo de vida das grandes cidades e da percepção que muitas pessoas têm sobre riqueza no Brasil. Mas os dados mais recentes sobre renda mostram justamente isso: o topo da pirâmide começa muito antes do que parte da população imagina.
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As informações são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento ajuda a entender não apenas quanto os brasileiros ganham, mas também como essa renda está distribuída — e concentrada — entre diferentes grupos da população.
Em 2025, o rendimento médio mensal por pessoa nos domicílios brasileiros foi de R$ 2.264. O cálculo considera toda a renda recebida pela casa dividida pelo número de moradores. Ainda assim, esse valor médio esconde uma distância significativa entre quem está na base e quem ocupa o topo da renda no país.
Segundo o analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes, embora o Brasil tenha registrado recordes de rendimento, houve uma leve alta da concentração de renda nas faixas mais altas em relação ao ano anterior.
De acordo com ele, os 10% mais ricos tiveram crescimento de renda acima da média nacional em 2025, movimento que influenciou os indicadores de desigualdade.
“O crescimento do topo acabou contribuindo para a percepção de uma leve oscilação positiva da desigualdade.”
Base da pirâmide vive com menos de R$ 600 por pessoa
Na faixa mais baixa da distribuição estão os 5% mais pobres da população, com rendimento médio de R$ 166 por pessoa em 2025. Entre os brasileiros logo acima desse grupo, a renda média sobe para R$ 374.
Quando o recorte é ampliado para os 20% mais pobres do país, o rendimento continua abaixo de R$ 600 mensais por pessoa. Na prática, isso significa que cerca de um quinto da população brasileira vivia nesse patamar no ano passado.
➡️ Para chegar a esses grupos, o IBGE organiza a população do mais pobre ao mais rico e divide os brasileiros em faixas proporcionais, chamadas de percentis. Isso permite comparar quanto ganha cada parcela da população e medir como a renda se concentra no país.
Outro indicador ajuda a dimensionar esse cenário: a chamada mediana da renda, que representa o ponto exato que divide a população em duas metades. Em 2025, ela ficou em R$ 1.311 por pessoa. Em outras palavras, metade dos brasileiros vivia com menos do que esse valor mensal.
O dado chama atenção porque está bem abaixo da média nacional de R$ 2.264. Isso acontece porque os rendimentos mais altos puxam a média para cima e ampliam a distância entre os diferentes grupos de renda.
Mesmo assim, os números mostram uma melhora importante entre as faixas mais baixas nos últimos anos.
Entre 2019 e 2025, a renda dos 10% mais pobres cresceu 78,7%, enquanto a faixa seguinte — formada pelos brasileiros entre os 10% e 20% de menor renda — registrou alta de 42,4%.
Segundo Fontes, esse avanço ajuda a explicar por que os indicadores de desigualdade ainda permanecem abaixo do nível observado antes da pandemia, apesar da alta recente da renda entre os mais ricos.
Topo da renda começa antes do que muita gente imagina
É nesse contexto que aparece um dos dados que mais costumam surpreender: os 10% mais ricos do Brasil tiveram rendimento médio de R$ 3.590 por pessoa em 2025.
Isso significa que um trabalhador assalariado com renda em torno de R$ 5 mil por mês — principalmente em domicílios menores — já pode fazer parte desse grupo.
Os dados do mercado de trabalho reforçam essa percepção: Em 2025, o rendimento médio dos trabalhadores ocupados foi de R$ 3.560, valor muito próximo da renda média registrada entre os 10% mais ricos da população.
Isso mostra que uma parcela relevante desse grupo é formada por trabalhadores assalariados com salários mais altos, e não apenas por pessoas que vivem de patrimônio, investimentos ou grandes empresas.
Ainda assim, o topo da renda está longe de ser homogêneo. Dentro dele, as diferenças continuam sendo muito grandes.
Entre os 5% mais ricos, o rendimento médio foi de R$ 5.519 por pessoa. Já entre os brasileiros posicionados logo abaixo do grupo mais rico do país — entre os 96% e 99% do topo — a média chegou a R$ 9.648.
No extremo da distribuição aparece o 1% mais rico do país, com rendimento médio mensal de R$ 24.973 por pessoa em 2025.
Fontes destaca que a renda do topo voltou a acelerar no último ano. Segundo ele, o rendimento dos 10% mais ricos cresceu 8,7% entre 2024 e 2025, acima da média nacional de 6,9%.
Onde está a renda mais alta do país
A pesquisa também ajuda a mostrar onde a renda mais elevada está concentrada.
O Centro-Oeste apareceu entre as regiões com maior rendimento por pessoa em 2025 e registrou o crescimento mais forte no último ano.
Segundo o IBGE, parte desse avanço foi impulsionada pelo Distrito Federal, com aumento do rendimento médio do trabalho, especialmente entre empregadores e trabalhadores do setor público.
De acordo com Fontes, o mercado de trabalho mais qualificado ajudou a elevar os rendimentos das faixas superiores. O analista também cita o aumento da rentabilidade de aplicações financeiras e a alta de 11,8% nos rendimentos com aluguel e arrendamento como fatores que favoreceram as classes de maior renda.
Isso ajuda a explicar por que o topo cresceu acima da média nacional em 2025, mesmo em um cenário de melhora mais ampla do mercado de trabalho.
Ao mesmo tempo, os dados mostram que a desigualdade continua elevada.
Em 2025, os 10% mais ricos concentraram 40,3% de toda a renda recebida pelas famílias brasileiras. Já os 70% com menores rendimentos ficaram, juntos, com apenas 32,8% desse total.
Na base da pirâmide, os 10% mais pobres concentravam somente 1,2% da renda nacional.
Outro indicador do IBGE mostra que os 10% mais ricos receberam, em média, 13,8 vezes mais do que os 40% mais pobres em 2025. No ano anterior, essa diferença era de 13,2 vezes.
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