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Relatório diz que JK foi morto pela ditadura militar, e não vítima de acidente

Juscelino Kubitschek, presidente do Brasil de 1956 a 1961
Arquivo público/DF
Um relatório da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) diz que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi morto em 1976 pela ditadura militar, e não vítima de um acidente de carro, como concluído à época e, posteriormente, reafirmado pela Comissão Nacional da Verdade. A versão do parecer, entretanto, ainda precisa ser aprovada em votação do colegiado para se tornar a oficial.

A informação foi revelada inicialmente pelo jornal "Folha de S.Paulo" e confirmada pela TV Globo nesta sexta-feira (8). Elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, relatora do caso na CEMDP, o documento tem mais de cinco mil páginas. O texto está sendo examinado pelos demais conselheiros do colegiado para ser votado.
"As decisões sobre o reconhecimento ou não de desaparecidos políticos são votadas em reuniões da CEMDP e aprovadas por maioria simples, conforme previsto em seu regimento. Ressalta-se que o relatório em questão segue em análise pelos membros da Comissão e ainda não foi submetido à votação", disse, em nota, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC).
No último 1º de abril, o parecer chegou a ser apresentado na 7ª Reunião Ordinária da CEMDP para conhecimento e apreciação dos integrantes. Devido ao extenso volume de anexos e da necessidade de avisar familiares de JK sobre o conteúdo das apurações, foi definido que a votação ocorreria depois do contato com as famílias, o que ainda não tem data para acontecer.
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Possível reviravolta
A Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos foi instituída por lei em 1995, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, como um órgão de Estado. Atualmente, ela conta com o apoio técnico-administrativo do Ministério dos Direitos Humanos.

A finalidade da CEMDP é reconhecer pessoas mortas ou desaparecidas devido a atividades políticas entre 1961 e 1988, buscar a localização dos corpos e emitir pareceres sobre os requerimentos apresentados por familiares das vítimas do regime militar no Brasil.
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No caso de Juscelino Kubitschek, a versão oficial vigente é a de que o ex-presidente foi vítima de um acidente automobilístico (leia mais abaixo). No entanto, as circunstâncias da morte do político foi motivo de controvérsias nos últimos anos.

A ditadura garantiu que se tratou de uma batida, afirmando que o carro havia sido atingido por um ônibus durante uma tentativa de ultrapassagem. Já as comissões estaduais da Verdade de São Paulo e de Minas Gerais, além da comissão municipal paulistana, defenderam a hipótese de atentado político.
"O pedido de reabertura da investigação do caso JK foi protocolado logo após a reinstalação da CEMDP, por solicitação encaminhada por Gilberto Natalini, ex-presidente da Comissão da Verdade Municipal de São Paulo, e Ivo Patarra", informou, em nota, a Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos.
Segundo a CEMDP, desde novembro de 2024, a relatora Maria Cecília Adão vinha trabalhando de forma articulada com pesquisadores do tema para oferecer um relatório sobre o caso. O documento foi confeccionado a partir de elementos públicos, como um inquérito do Ministério Público Federal (MPF), de 2019 (leia mais abaixo).

Acidente com carro de JK em 1976
MPF/Reprodução
Morte controversa
Juscelino Kubitschek morreu em agosto de 1976, na Rodovia Presidente Dutra, quando viajava de São Paulo para o Rio de Janeiro.
O acidente ocorreu na altura da cidade de Resende (RJ). Conforme registros, o veículo Chevrolet Opala, que levava o ex-presidente e o motorista dele, Geraldo Ribeiro, invadiu a pista contrária e bateu contra um caminhão, após ter sido atingido por um ônibus. Nenhum dos dois sobreviveu à colisão.

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