Charlan atacou as vítimas com uma faca que ele pegou na cozinha do restaurante. A faca era usada para cortar frutas usadas nos coquetéis. Ao avistar a faca, o garçom teria ouvido uma voz masculina falando "Vai! Vai! Se até o Rei Davi matou, por que tu não pode fazer isso?", segundo o laudo pericial.
“Destaque-se que o próprio laudo corrobora a aguda e elevada periculosidade do réu e a natureza gravíssima de seus nefastos atos, deixando evidente que ele não possui, sob qualquer pretexto, condições de conviver em sociedade”, reforçou Vasques.
O laudo traz ainda que Charlan teria sentido uma "pressão, como se houvesse uma enorme força externa controlando-o". Ele disse que não lembra de ter atacado as vítimas pois "foi como se sua mente se apagasse".
O garçom disse que só teria voltado a si quando já estava dirigindo o próprio carro, com manchas de sangue nas mãos e a faca usada no ataque.
“Reiteramos nosso compromisso inabalável com a busca por um desfecho processual que honre a memória do vereador Cesar Veras e garanta a segurança coletiva, acreditando que o Poder Judiciário tem plena ciência da gravidade do fato apurado e da indiscutível necessidade de um indivíduo, como o acusado, ser mantido distante do convívio social”, complementou o advogado da família do vereador, Leandro Vasques.
Denúncia do MP
César Veras foi presidente da Câmara de Camocim de 2019 a 2020.
Arquivo pessoal
O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou Antônio Charlan Rocha Souza em junho de 2024. A Promotoria de Justiça considerou que o garçom agiu de maneira que impossibilitou totalmente a defesa das vítimas, e que a motivação do crime foi fútil. Ele foi denunciado por homicídio e tentativa de homicídio.
A Polícia Civil disse que Charlan teria cometido o crime motivado pelo suposto assédio moral que sofria no restaurante onde o homicídio ocorreu.
A família do vereador contestou a versão que o garçom teria agido motivado por assédio moral, e apresentou novas imagens de câmeras de segurança que mostram a ação do garçom antes do crime. Com isso, o MP chegou a pedir que a Polícia analise e inclua os novos vídeos no inquérito em até dois dias.
Vereador morto e dois feridos
César Araújo Veras, de 51 anos, foi morto após ser esfaqueado na região do pescoço pelo garçom Antônio Charlan Rocha Souza, que trabalhava no restaurante onde o vereador tinha acabado de chegar.
Além do político, outros dois homens também foram esfaqueados: o dono do restaurante, Euclides Oliveira Neto, de 55 anos; e um cliente que estava no local, identificado como Fábio Roberto de Castro Sousa, de 56 anos.
As imagens que o MP pediu que fossem incluídas no inquérito mostram o garçom Antônio Charlan, cerca de três horas antes do crime, próximo a um colega de trabalho que estava amolando a faca que, mais tarde, Antônio Charlan usaria para matar César Veras e esfaquear outros dois homens.
Antônio Charlan pegou a faca de um colega de trabalho para cometer o crime
Reprodução
O vídeo também mostrou o garçom voltando ao local onde estava a faca, um pouco antes do crime, e pegando o objeto sem que o colega de trabalho percebesse. Pouco depois, Antônio Charlan iniciou o ataque ao vereador. Em seguida, o garçom saiu correndo, entrou no próprio carro e fugiu.
Versão da polícia
Conforme o inquérito da Polícia Civil, o crime teria sido motivado pelo suposto assédio moral que o garçom sofria no trabalho.
"Indícios existem de que Charlan queria atacar de alguma forma a pessoa de Euclides, motivo pelo qual o indiciado marcou ele e os melhores amigos do dono do estabelcimento, aqueles que sempre frequantavam o local, dentre eles o vereador César Araújo Veras e Fábio Roberto de Castro Sousa. Assim, a autoria e a materialidade do crime estão devidamente comprovadas, bem como a motivação do crime foi descoberta após a investigação concluída pela equipe da Polícia Civil de Camocim", diz um trecho do inquérito policial que o g1 teve acesso.
Dados extraídos do aparelho celular de Antônio Charlan com autorização da Justiça mostraram que ele pesquisou antes do crime os termos “funcionário pedindo demissão”, “desrespeito trabalhista”, "trabalhador demitido", “pagamento errado”, “patrão desrespeitando funcionário”, entre outros.
Além disso, o homem também acessou na Internet conteúdos relacionados a "melancolia", "tristeza permanente e profunda", além de "pertinência".
"Por fim, vale ressaltar que o presente relatório concluiu pela possível existência de problemas psicológicos por parte de Antônio Charlan, podendo ter sido gerado, 'uma hipótese', pelo desrespeito aos seus direitos trabalhistas", diz um trecho do documento.
Ainda conforme o inquérito, também foram analisadas 664 mensagens via WhatsApp trocadas pelo suspeito, porém a polícia não conseguiu extrair nenhum conteúdo criminoso ou algo relacionado ao crime que vitimou o vereador e os outros dois homens.
"Conforme se pode analisar, não existe qualquer conteúdo criminoso, dias antes ou depois do fato que possa ter motivado o investigado, a prática desses delitos.
Garçom conhecia as vítimas
O garçom trabalhava há 13 anos no restaurante onde o crime aconteceu. Ele conhecia as três vítimas, sendo uma delas seu patrão, e não tinha desavenças com elas.
No decorrer das investigações, a polícia ouviu outros funcionários e ex-funcionários do estabelecimento. Uma das pessoas ouvidas chegou a relatar que trabalhavam "sob muita pressão".
Garçom matou vereador em restaurantes poucos instantes após vítima chegar ao local, no Ceará.
Reprodução
Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:





