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Fintech é acusada de desaparecer com ao menos R$ 335 milhões e omitir informações; polícia registra ocorrências no DF

Fintech é acusada de desaparecer com ao menos R$ 335 milhões e omitir informações; polícia registra ocorrências no DF
Reprodução
A fintech Naskar Gestão de Ativos passou a ser investigada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) após clientes relatarem dificuldade para acessar valores investidos, problemas no aplicativo da empresa e falta de respostas da companhia.
Segundo a PCDF, foram registradas quatro ocorrências policiais contra a Naskar, entre esta quinta-feira (7) e sexta-feira (8). O g1 apurou que duas empresas, somadas, estimam um prejuízo de pelo menos R$ 335 milhões (entenda abaixo).

Os registros foram feitos em delegacias diferentes, e cada unidade ficará responsável pela apuração de forma independente.
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Considerando toda a operação da Naskar, a estimativa é de aproximadamente R$ 850 milhões em contratos e impacto potencial sobre mais de 2.700 pessoas, segundo informou o Grupo Nexco, uma das empresas contratantes.

A Naskar informou, em nota (veja íntegra abaixo), que iniciou um processo interno de auditoria após identificar inconsistências em sua base de dados.
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Segundo a empresa, equipes técnicas trabalham na revisão e validação das informações para garantir a segurança e a precisão no tratamento dos dados. A companhia afirmou ainda que os clientes serão atualizados “o mais breve possível”.
Os sócios-administradores da Naskar são Jose Mauricio Volpato — ex-jogador de vôlei, conhecido como Maurício Jahu —, Marcelo Liranco Arantes e Rogerio Vieira.
Prejuízo de R$ 47 milhões
Uma das ocorrências foi registrada pelo empresário do Wesley Miranda Albuquerque, sócio-administrador de uma empresa de planejamento financeiro em Brasília.
De acordo com o registro policial, Wesley afirma que sua empresa atuava na indicação de clientes para produtos financeiros da Naskar e que, ao longo da parceria, cerca de 135 clientes fizeram aportes que somam aproximadamente R$ 47 milhões.
Segundo o empresário, os problemas começaram nesta semana, quando pagamentos previstos para segunda-feira (4) deixaram de ser feitos, e o aplicativo utilizado pelos clientes para consultar saldos e solicitar resgates saiu do ar.
“Meu dinheiro da vida está dentro dessa instituição. Minha mãe vendeu uma casa que ela tinha e colocou o dinheiro lá para viver da renda”, afirmou Wesley ao g1.
Segundo Wesley, clientes e parceiros passaram anos confiando na empresa e nunca haviam enfrentado atrasos semelhantes.
Wesley afirma ainda que representantes da empresa deixaram de responder mensagens, ligações e notificações formais, sem apresentar esclarecimentos sobre os valores investidos ou previsão de regularização.

Segundo ele, após orientação jurídica, decidiu registrar boletim de ocorrência e entrar com medida cautelar na Justiça.
“O medo é que essas pessoas estejam fugindo com o nosso dinheiro. A gente quer que o dinheiro seja bloqueado para ressarcir os clientes”, afirmou.
Ação Judicial
A crise envolvendo a empresa também motivou uma ação judicial do Grupo Nexco contra a Naskar Holding, após atrasos considerados inéditos em pagamentos e dificuldades de acesso à operação.
Reprodução
A crise envolvendo a empresa também motivou uma ação judicial do Grupo Nexco contra a Naskar Holding, após atrasos considerados inéditos em pagamentos e dificuldades de acesso à operação.
Segundo a Nexco, os repasses previstos em contratos de mútuo — espécie de empréstimo entre as partes — deveriam ter sido feitos no primeiro dia útil do mês, mas não foram honrados.

A empresa afirma que clientes e agentes também relataram impossibilidade de acessar o aplicativo, movimentar contas e obter respostas da Naskar.
Para o grupo, a situação deixou de ser um atraso pontual e passou a representar uma “crise de confiança e de informação”.
“O problema deixou de ser apenas um atraso e passou a ser uma crise de confiança e de informação. A ausência de respostas concretas, somada à indisponibilidade da operação, tornou inevitável a busca pela tutela judicial”, afirma o advogado Kauê Machado, que representa a Nexco e clientes.
A empresa diz que cerca de 1.250 clientes, colaboradores e pessoas ligadas à sua base podem ter sido afetados, com prejuízo estimado em R$ 288 milhões.

A Nexco também afirma que não havia identificado, até então, qualquer sinal de irregularidade na operação da Naskar que justificasse a interrupção ou inviabilizasse a comercialização dos contratos.
A companhia diz ainda que seus próprios diretores e colaboradores estão entre os prejudicados e que passou a organizar ações judiciais para reunir os clientes afetados e buscar reparação.
Reclamações
Clientes da Naskar passaram a relatar problemas na plataforma e dificuldades para acessar valores em publicações no site Reclame Aqui. As queixas mencionam indisponibilidade do aplicativo e falta de comunicação por parte da empresa.
“Estou sem acesso ao banco Naskar há vários dias. Aparece uma mensagem de problemas no sistema. Quero resgatar meu dinheiro”, escreveu um usuário de Brasília.
Outro cliente, do Paraná, afirma que o aplicativo saiu do ar sem aviso prévio e relata prejuízo financeiro.

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