Lula e Trump mostram que é possível ter diálogo amistoso mesmo tendo posições antagônicas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve reunido por cerca de três horas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em sua primeira visita oficial à Casa Branca durante a gestão trumpista.
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Os dois fariam uma declaração conjunta à imprensa do Salão Oval após o encontro, mas a coletiva de imprensa foi cancelada. Lula deve agora falar com jornalistas na embaixada brasileira em Washington.
Trump postou após o encontro sobre a reunião. Elogiou Lula de "dinâmico", afirmou que a reunião foi "muito produtiva" e destacou o tema das tarifas entre os tópicos que discutiram.
"Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o dinâmico presidente do Brasil. Discutimos diversos temas, incluindo comércio e, mais especificamente, tarifas. A reunião foi muito boa", escreveu o presidente americano na rede Truth Social.
Trump também ressaltou que representantes dos dois países deverão ter novos encontros para tratar de temas relevantes na agenda bileteral.
"Nossos representantes têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário", disse Trump.
Como foi a reunião de Lula e Trump
Lula e Trump em encontro na Casa Branca
Ricardo Stuckert
Lula chegou à Casa Branca por volta de 12h20 (horário de Brasília) e foi recebido por Trump diante da residência oficial do presidente americano, onde trocaram cumprimentos.
O brasileiro foi acompanhado dos ministros Márcio Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Alexandre Silveira (Minas e Energia do Brasil), Dario Durigan (Fazenda), Wellington César (Justiça e Segurança Pública) e Mauro Vieira (Relações Exteriores).
Já o americano levou seu vice, J.D. Vance, a chefe de gabinete, Susie Wiles, os secretários de Comércio e do Tesouro, Howard Lutnick e Scott Bessent, e Jamieson Greer, representante comercial dos EUA.
A agenda inicial previa que os dois líderes falariam primeiro com a imprensa e depois seguiriam para a reunião bilateral. Mas a ordem foi alterada a pedido da delegação brasileira.
Segundo apurou a BBC News Brasil, a alteração ocorreu após a experiência da viagem de Lula à Malásia, em outubro do ano passado, quando Lula e Trump tiveram seu primeiro encontro oficial.
O governo americano também deseja ter acesso privilegiado às reservas brasileiras de minerais críticos ou mesmo alguma garantia de fornecimento com exclusividade do Brasil para os EUA.
O Brasil é detentor da segunda maior reserva mundial de terras raras, minerais considerados essenciais para a transição energética e para a produção de equipamentos de alta tecnologia como telefones celulares, computadores e até mísseis.
Neste ponto, segundo analistas ouvidos pela BBC News Brasil, pode haver divergência entre os interesses dos dois países, porque que o governo Lula já afirmou que não deseja que o Brasil se torne fornecedor exclusivo de um país.
A visita também pode gerar dividendos políticos e simbólicos para Trump em um momento em que sua liderança internacional é contestada, entre outros motivos, pelo prolongamento da guerra contra o Irã.
O encontro poderia reforçar a narrativa de que ele está organizando as cadeias de suprimento críticas com grandes produtores de alimentos e minerais para conseguir competir com a China e passar uma imagem de pragmatismo internacional ao aparecer ao lado de um líder de esquerda.
A China é apontada pelo governo americano como a principal ameaça geopolítica dos Estados Unidos. Neste aspecto, o Brasil tem sido apontado por oficiais do governo dos EUA como um parceiro estratégico.
De 'nenhuma relação' à reunião na Casa Branca
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva reage ao falar com repórteres após sua reunião na Casa Branca com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Embaixada do Brasil em Washington, DC, EUA, em 7 de maio de 2026
REUTERS/Elizabeth Frantz
Em setembro passado, Lula declarou à BBC, em entrevista exclusiva, que não tinha "nenhuma relação" com Donald Trump.
Essa declaração foi apenas o mais recente episódio de uma troca de farpas entre os dois líderes desde que Trump impôs uma alta tarifa — de 50% — sobre produtos brasileiros em abril de 2025.
"O povo americano pagará pelos erros que o presidente Trump está cometendo em sua relação com o Brasil", disse Lula na ocasião. Ele também acusou Trump de interferência estrangeira e de se comportar como um "imperador".
Trump já havia afirmado que Lula poderia "ligar para ele a qualquer momento". Mas Lula insistiu que membros do governo Trump "não querem conversar".
Parte da razão para as altas tarifas de Trump sobre o Brasil foi o julgamento e a condenação de Jair Bolsonaro, que tinha uma relação próxima com Trump, por golpe de Estado.
"A relação dele é com Bolsonaro, não com o Brasil", disse Lula sobre Trump.
Mas, após um breve encontro na Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, em setembro, as relações pareceram descongelar.
Eles conversaram por telefone no mês seguinte, uma conversa que ambos os líderes descreveram como positiva e amigável. Trump disse em suas redes sociais que a ligação havia sido "focada principalmente na economia e no comércio entre nossos dois países".
"Teremos novas conversas e nos reuniremos em breve, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos."
O primeiro encontro formal entre os dois aconteceu em em Kuala Lumpur, na Malásia, em outubro de 2025, durante a 47ª reunião da Associação das Nações do Sudeste Asiático.
Uma nova reunião vinha sendo negociada desde janeiro deste ano e chegou a ser prevista para março.
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