Empregada grávida agredida por patroa no MA aceitou trabalho para comprar enxoval do filho
Reprodução/Divulgação
Grávida de cinco meses, uma doméstica de 19 anos, aceitou um trabalho no Maranhão para tentar comprar o enxoval do bebê. O que seria uma oportunidade de renda e a realização de um sonho, terminou em agressões pela ex-patroa, trauma e no pagamento de apenas R$ 750 — valor que não cobre nem os itens básicos para recém-nascidos em lojas de São Luís.
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O valor recebido pela empregada doméstica foi pago por pouco mais de duas semanas de trabalho, com jornada de quase 10 horas por dia e, segundo a vítima, tinha acúmulo de funções. O g1 apurou que a quantia não é suficiente para cobrir os custos básicos de um enxoval em lojas da Grande São Luís.
A suspeita de agredir a empregada doméstica é a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos. Ela foi presa em Teresina (PI), nesta quinta-feira (7) e, em seguida, foi transferida para São Luís, onde chegou no fim da tarde na capital maranhense.
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A reportagem pesquisou preços de itens como fraldas, roupas, mamadeiras e kits de higiene em estabelecimentos da capital maranhense. Os valores variam entre R$ 1,6 mil e R$ 3 mil para versões de enxoval consideradas básicas.
Já enxovais mais completos podem custar entre R$ 5 mil e R$ 15 mil. Em uma das lojas pesquisadas, mesmo produtos em promoção somavam cerca de R$ 2,5 mil. Os valores ultrapassam ao que a jovem poderia receber, caso tivesse completado o mês de contrato na casa da patroa – que é de R$ 1.621,00.
A medida foi tomada após a divulgação de áudios enviados pela própria empresária, nos quais ela relata as agressões e afirma que não foi levada à delegacia por conhecer um dos policiais.
Segundo Carolina, o agente, que não teve o nome divulgado, teria dito que, por causa dos hematomas na vítima, ela deveria ter sido conduzida à delegacia, o que não ocorreu.
“Parou uma viatura no meio da rua, eles vieram aqui de manhã. Mas veio um policial que me conhecia. Sorte minha, né? E sorte dela também. Aí eu expliquei para ele o que tinha acontecido. Aí ele disse: ‘Carol, se não fosse eu, eu teria que te conduzir para a delegacia, porque ela está cheia de hematomas’. Aí eu disse: ‘era para ter ficado era mais, não era para ter saído viva’”, afirmou Carolina.
Empresária tem mais de dez processos contra ela
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Reprodução/Redes sociais
A polícia informou que a empresária responde a mais de dez processos. Em um deles, de 2024, foi condenada por calúnia após acusar falsamente a ex-babá de roubar uma pulseira de ouro. A pena de seis meses em regime aberto foi substituída por serviços comunitários, além de indenização de R$ 4 mil por danos morais.
A ex-babá Sandila Souza, que move outro processo contra Carolina, afirmou que começou a trabalhar na casa aos 17 anos e hoje não mora mais no Maranhão.
Segundo a ex-babá, o pagamento pelo serviço era feito por contas de terceiros, nunca diretamente pela patroa. Ela também afirmou que a indenização por danos morais ainda não foi paga.
“Ela olhou pelas câmeras. Foi no mesmo momento que ela me viu saindo com as minhas malas e falou que ia na delegacia, que eu tinha roubado a pulseira do filho dela. Ela ia dizer que eu tinha roubado a pulseira do filho dela. Eu falei: ‘Eu não roubei a pulseira do seu filho, mas, se você quiser ir lá, pode ir, que tem câmera em todo lugar e as câmeras nunca ficam desligadas."
O que diz a empresária sobre agressão contra doméstica
"Diante das publicações e comentários que vêm circulando na imprensa e nas redes sociais a respeito do IPL nº 066/2026 — 21º Distrito Policial do Araçagy/MA, venho me manifestar com serenidade e respeito.
Em primeiro lugar, afirmo que respeito profundamente a atuação das autoridades e que jamais me neguei a colaborar com a apuração dos fatos. Minha defesa já compareceu à delegacia, solicitou acesso aos autos e adotará todas as providências necessárias para que minha versão seja apresentada no momento adequado, de forma responsável e dentro do procedimento legal.
Também registro que repudio qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres, gestantes, trabalhadoras e pessoas em situação de vulnerabilidade. Justamente por reconhecer a gravidade do assunto, entendo que tudo deve ser apurado com seriedade, equilíbrio, provas e respeito ao devido processo legal.
Minha família, incluindo meu marido e meu filho, vem sofrendo ataques e ameaças. Isso não contribui para a verdade, não ajuda a investigação e apenas aumenta o sofrimento de todos os envolvidos.
Requeiro que não haja julgamento antecipado e que o inquérito seja conduzido em observância aos princípios constitucionais. A investigação ainda está em andamento, e a verdade deve ser esclarecida pelas vias legais, jamais por ameaças, ofensas, exposição de familiares ou linchamento virtual.
Seguirei à disposição das autoridades, por meio da minha defesa, confiando que os fatos serão esclarecidos com responsabilidade, respeito, técnica e justiça.
Paço do Lumiar – MA, 05 de maio de 2026.
Carolina Sthela Ferreira dos Anjos" .
Nota da SSP sobre a prisão da empresária
"A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) informa que Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, investigada por agressões contra uma jovem grávida no município de Paço do Lumiar, foi presa nesta quinta-feira (7), em Teresina (PI), quando tentava fugir.
A prisão foi realizada pelas Polícias Civis do Piauí e do Maranhão, em ação de cooperação entre as forças de segurança dos dois estados, após trabalho de Inteligência e cumprimento de mandado expedido pela Justiça na madrugada de hoje.
O policial militar Michael Bruno Lopes Santos, citado nas denúncias, também foi preso, em São Luís, e responde a procedimento instaurado pela Corregedoria da PMMA para apuração de sua conduta e responsabilidade no caso.
As investigações seguem em andamento para completa apuração dos fatos, identificação de todos os envolvidos e adoção das medidas cabíveis".
O que diz o PM sobre a suspeita de envolvimento no caso
"A defesa de Michael Bruno Lopes Santos informa que acompanha com atenção as notícias divulgadas nas últimas horas e esclarece que ainda não teve acesso integral aos autos, às peças formais da investigação e aos elementos que fundamentaram a medida adotada.
Michael nega a prática de qualquer agressão ou ato de violência e afirma que sua versão será apresentada tecnicamente nos autos, pelos meios próprios, após a defesa conhecer o conteúdo integral do procedimento.
É importante registrar que, antes da repercussão mais recente, Michael compareceu à Corregedoria da Polícia Militar do Maranhão, onde prestou declarações formais e respondeu aos questionamentos que lhe foram feitos.
Neste momento, a defesa está adotando as providências cabíveis para obter acesso aos autos, verificar a legalidade dos atos praticados e assegurar o pleno exercício das garantias constitucionais, especialmente o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência.
Novos esclarecimentos serão prestados, se necessário, após a análise técnica dos documentos oficiais.
Assessoria Jurídica de Michael Bruno Lopes Santos".
*Estagiárias supervisionadas por Rafaelle Fróes.





