EUA não levarão em conta posição do Brasil sobre classificar o PCC como organização terrorista
O Ministério Público de São Paulo formalizou nesta quinta-feira (7) a rejeição ao acordo de delação premiada discutida com os empresários Mohamad Hussein Mourad, conhecido como "Primo", e Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", principais alvos da operação Carbono Oculto e acusados de comandar esquema bilionário do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis.
A íntegra da decisão do procurador-geral de Justiça (PGJ), Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, foi apresentada à defesa dos empresários também nesta quinta.
Procurada, a defesa disse que não vai se manifestar. Na quarta-feira (6), após a decisão do PGJ sobre a rejeição, a defesa informou que não comentaria porque o processo é sigiloso.
A negativa do MP, no entanto, não impede que um novo acordo possa ser fechado durante o andamento do processo, caso exista interesse entre as partes.
O MP apura um esquema sofisticado de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, corrupção e fraudes no mercado de combustíveis que seria comandado por “Beto Louco” e “Primo”. Os dois estão foragidos desde agosto de 2025, mas em decorrência da Operação Tank, deflagrada pela Polícia Federal no mesmo dia da Carbono Oculto.
Entre os motivos apontados formalmente à defesa dos empresários está a ausência de requisitos mínimos para a continuidade das negociações e que os investigados não apresentaram elementos que atendessem à finalidade da colaboração.
A GloboNews apurou ainda que outros fatores pesaram para a decisão de não continuidade das tratativas, como o fato de os dois alvos estarem foragidos desde a deflagração das operações Carbono Oculto, Tank e Quasar, a falta de informações sobre outros participantes da organização criminosa, estrutura hierárquica e divisão de tarefas.
Os promotores envolvidos no caso entenderam que os empresários omitiram informações relevantes sobre a atuação em esquemas de lavagem e conexões com o PCC, detalhes do esquema e dinâmica de adulteração de combustíveis, além de terem se negado a oferecer detalhes sobre corrupção policial no estado.
Valores negociados
Durante a negociação, foi aventada a possibilidade de que os empresários estariam dispostos a pagar mais de R$ 1 bilhão em impostos sonegados, além de multas, mas investigadores afirmam que os valores sequer foram discutidos. Antes da definição das quantias a serem devolvidas ao Estado, seria necessário definir a pena que os empresários cumpririam e também o regime.
O material apresentado às autoridades, segundo a defesa dos empresários, incluía documentos, mensagens de celular, gravações e comprovantes de pagamento que confirmariam uma propina de mais de R$ 400 milhões a políticos, magistrados e outras autoridades entre 2022 e 2024.
Os investigadores, no entanto, avaliaram que o conteúdo obtido pela imprensa seria mais amplo do que foi apresentado pelos advogados durante as negociações, e reforçaram que o relato indicava o ato de apenas um juiz, que já está processado e responsabilizado criminalmente e na esfera administrativa.
Tentativas de acordo
Os empresários tentavam firmar acordos de delação em diferentes esferas desde o ano passado. As primeiras recusas partiram da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal.
Em São Paulo, os dois assinaram um termo de confidencialidade. Por envolver uma denúncia envolvendo um juiz, as negociações foram remetidas à Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ), que assumiu a competência originária.
As conversas tiveram andamento no MP, mas ficaram travadas nos últimos meses. A GloboNews apurou que o material apresentado por “Beto Louco” e “Primo” não atendeu aos requisitos mínimos para a formalização da delação e não trazia novidades ao que a investigação havia indicado.
Delação rejeitada no Piauí
Assim como aconteceu no Ministério Público de São Paulo, a proposta de colaboração foi rejeitada, em março deste ano, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Piauí.
O objetivo era o mesmo: ter mais informações e provas sobre a possível atuação de uma organização criminosa estruturada voltada à prática de fraudes no setor de combustíveis, ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro proveniente dos crimes praticados.
Os empresários manifestaram interesse na celebração de acordo, alegando ter elementos que poderiam contribuir para o esclarecimento dos fatos investigados, principalmente em relação à organização criminosa, e também assinaram um termo de confidencialidade com o Gaeco do Piauí.
Porém, após a análise dos anexos com os conteúdos apresentados pelos investigados, os promotores entenderam que já possuíam as informações que foram apresentadas posteriormente por “Beto Louco” e “Primo”, e que o material entregue não acrescentaria detalhes relevantes ou indispensáveis para o avanço da investigação.
Mohamad Hussein Mourad, conhecido como "Primo", e Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", eram responsáveis por comandar o esquema do PCC no setor de combustíveis.
Montagem g1/Reprodução/Redes sociais/Polícia Civil



