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Metrô do Recife: trens que vêm de Belo Horizonte devem evitar colapso da Linha Sul previsto para 2027, diz CBTU

Gerente regional de operação da CBTU fala dos trens vistoriados em Belo Horizonte
O gerente regional de operações da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), José Inocêncio, participou das vistorias nos trens de Belo Horizonte que serão transferidos para o Recife após acordo entre o governo federal e o de Pernambuco para “estadualizar” a administração do Metrô do Recife.

Segundo ele, a chegada das composições tem como objetivo evitar um colapso na operação da Linha Sul do Metrô do Recife, previsto em estudos técnicos para abril de 2027 (veja vídeo acima).
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"Nós estamos aqui em Belo Horizonte providenciando o transporte do primeiro trem dos seis que vão para Recife para suprir a operação da Linha Sul do metrô no Recife. Isso faz parte de um processo devido aos estudos que prevê que em abril de 2027 nós poderíamos ter um colapso", afirmou.
De acordo com nota técnica da Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana, à qual o g1 teve acesso, o sistema metroferroviário do Grande Recife enfrenta uma restrição crítica de frota. Os trens em operação apresentam obsolescência técnica após cerca de 40 anos de uso e são utilizados predominantemente no Ramal Sul do Metrô do Recife.
O documento afirma ainda que a situação compromete diariamente o atendimento aos cerca de 60 mil usuários transportados por dia e aponta estimativa técnica de paralisação integral da frota até abril de 2027.
"Há estimativa técnica de paralisação integral da frota CISM até abril de 2027, em razão do grau avançado de obsolescência de seus componentes, da escassez de materiais sobressalentes e da identificação de falhas estruturais, que inviabilizam a continuidade segura e economicamente sustentável da operação", diz o documento.
Segundo a nota técnica, a aquisição de seis trens do Metrô de Belo Horizonte foi considerada uma alternativa tecnicamente viável e compatível com as características da malha ferroviária do Recife.
"As composições avaliadas apresentam condições estruturais satisfatórias, apesar da elevada quilometragem, com sistemas principais em estado adequado de funcionamento, desde que acompanhados de fornecimento de sobressalentes críticos e suporte técnico inicial", diz o documento.
De acordo com o gerente regional da CBTU, todos os trens que foram aprovados na vistoria estavam em funcionamento e são operacionais. "Esses seis trens estavam operando aqui em Belo Horizonte. Eles estão sendo reformados e já estão começando a ser transportados para lá", pontuou.
Locomotivas de Belo Horizonte
Tren de Belo Horizonte foi reformado e será transferido para Recife
Divulgação/CBTU
Imagens enviadas pela CBTU mostram um dos trens com nova pintura inspirada na bandeira de Pernambuco. O letreiro do primeiro vagão, onde fica o maquinista, já exibe o destino “Cajueiro Seco”, estação final da Linha Sul do Metrô do Recife.
Ainda de acordo com a CBTU, o cronograma de chegada dos trens de Belo Horizonte deve seguir o calendário de maio a setembro:
Um trem em maio de 2026;
Um trem em junho de 2026;
Um trem em julho de 2026;
Um trem em agosto de 2026;
Dois trens em setembro de 2026.
De acordo com Luiz Soares, presidente do Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE), os trens de Belo Horizonte estariam fora de operação antes da negociação com o governo federal e seriam incompatíveis com a malha ferroviária do Recife.
Em entrevista ao g1, ele afirmou que as composições estavam sendo negociadas para venda como sucata a um ferro-velho em Cuiabá por cerca de R$ 2 milhões, antes de o acordo com o governo federal chegar a R$ 60 milhões.
O g1 questionou a CBTU sobre as afirmações do Sindmetro a respeito do valor de venda dos trens de Belo Horizonte, das condições das composições e da necessidade de adaptações para a rede do Recife, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.
Trens reprovados em Porto Alegre
Dos 11 trens que devem reforçar o sistema metroviário, cinco viriam de Porto o Alegre. Porém, após vistorias, quatro trens foram reprovados por não apresentarem alto grau de degradação e pelos custos para recuperação.
A CBTU informou que o trem aprovado no Rio Grande do Sul deve chegar “em um segundo momento”, mas não especificou quando. Também não confirmou se outros trens serão avaliados, já que o previsto era trazer cinco trens e não apenas um.
De acordo com o Sindmetro, era previsto que os trens de Porto Alegre seriam rejeitados por causa das péssimas condições de conservação. Leandro Felix, diretor de comunicação do Sindmetro-PE, afirmou que acompanha a transferência dos trens de outros estados.
"O sindicato, inclusive, esteve in loco no Rio Grande do Sul e nós avaliamos que os trens não teriam a mínima condição. E na nossa audiência pública, nós denunciamos isso, porque nós não queremos nenhuma aventura aqui no nosso metrô, nós queremos serviço de qualidade, com prestação de serviço adequada e com segurança para os usuários e para os funcionários", disse em entrevista à TV Globo.

O g1 perguntou a CBTU o prazo de entrega do único trem de Porto Alegre aprovado na vistoria, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.
Foto de arquivo da Linha Centro do Metrô do Recife
Everaldo Silva/TV Globo
O que diz o governo de Pernambuco
Procurada, a Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura de Pernambuco (Semobi) informou que a operação do Metrô do Recife, assim como a aquisição emergencial dos trens, a logística, a avaliação estrutural e a qualificação da infraestrutura férrea, seguem sob responsabilidade do governo federal, por meio da CBTU.
De acordo com o documento, o governo afirmou que:
a Semobi acompanha e contribui com as discussões sobre a modernização e futura concessão do Metrô do Recife;
a concessão prevê a compra de novos trens e a requalificação do sistema, sob responsabilidade do governo de Pernambuco;
o projeto de concessão passou por consulta pública entre fevereiro e abril, e agora está em processo de análise;
atualmente, o processo está na fase de análise das contribuições recebidas da sociedade, conduzida pelo governo estadual, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo governo federal.
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