Bebê de 2 meses morre em São João Batista após parada cardiorrespiratória O bebê que morreu em São João Batista (SC) apresentava quadro de desnutrição e peso incompatível com a idade, mas não tinha sinais de maus-tratos e ferimentos, informou a Polícia Civil. O caso aconteceu na terça-feira (5), quando autoridades suspeitaram da cuidadora que riu durante a ligação ao Samu. A Polícia Militar registrou a ocorrência como possível omissão de socorro com resultado morte e maus-tratos. Já a Polícia Civil informou nesta quarta (6) que o bebê tinha uma malformação, que o baixo peso da vítima poderia decorrer de mais de uma causa possível e que o exame no corpo não encontrou suspeita de conduta negligente (leia mais abaixo). ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp O g1 questionou a polícia sobre a situação envolvendo o comportamento da cuidadora durante a ligação, mas não houve resposta até a última atualização desta reportagem. Ocorrência A Polícia Militar foi chamada pelo Samu ao Hospital Monsenhor José Locks, onde a criança foi internada por volta das 5h50. De acordo com os policiais, inicialmente os socorristas acreditaram que se tratava de um trote, já que a comunicante apresentava comportamento inadequado durante a ligação, chegando a rir. Em uma nova chamada, a equipe solicitou uma videoconferência e constatou que o bebê estava irresponsivo. A cuidadora foi então orientada a realizar manobras de reanimação. O Samu deslocou-se até a residência e levou a criança à unidade de saúde. Após 45 minutos de atendimento, a morte foi confirmada às 5h30. Ambulância do SAMU de Santa Catarina Jonatã Rocha/Secom/Divulgação Bebê morre e PM desconfia de maus-tratos após risada de babá em ligação O Conselho Tutelar foi chamado pelo hospital e declarou que, ao verificar o endereço da residência, constatou registros anteriores de possíveis violações e que no local a babá presta atendimento a outras crianças. O que disse a babá No relato à Polícia Civil a babá relatou ter acordado por volta das 3h50 para alimentar a criança e percebeu que o bebê já estava frio. Ela teria avisado a mãe da criança, que estava trabalhando, e acionado o socorro. Conforme a nota enviada à imprensa, a Polícia Civil afirmou que, após a análise das informações, não se confirmaram elementos mínimos seguros para a prisão em flagrante das mulheres. A decisão considerou o depoimento técnico de perito médico-legista responsável pelo exame cadavérico. O profissional afirmou que a criança apresentava peso de cerca de 1,900 kg a 1,950 kg, valor incompatível com a idade cronológica. O que disse o médico para polícia "Ao ser questionado sobre as possíveis causas desse baixo peso, esclareceu que tal condição não pode, neste momento, ser atribuída necessariamente à má alimentação ou à omissão de cuidados", disse a Polícia Civil. Conforme a investigação, o médico legista afirmou que o baixo peso poderia decorrer de mais de uma causa possível, entre elas: Má alimentação ou baixa oferta de alimento; prematuridade, caso a criança tenha nascido com peso muito baixo e ainda não tivesse tempo suficiente para atingir peso esperado para a idade; e condição congênita ou síndrome genética, especialmente diante dos sinais externos constatados no exame cadavérico. "O perito destacou a existência de fenda palatina, micrognatia e crânio de tamanho reduzido, sinais que sugerem possível doença congênita ou síndrome genética, cujo esclarecimento depende de análise do histórico médico da criança e de documentos hospitalares". Além disso, o profissional não encontrou indícios de maus-tratos no exame cadavérico, afirmando que não havia lesões externas ou internas decorrentes de causa externa ou de instrumento. Para a investigação, a informação é relevante, pois afasta a existência de sinais físicos objetivos de violência ou agressão contra a criança. Além disso, para a Polícia Civil, ainda que a fenda palatina possa dificultar a alimentação e favorecer episódios de broncoaspiração, a ausência de alimentos nas vias respiratórias do bebê afasta a suspeita de que a morte ocorreu por causa de conduta negligente (veja outros pontos da nota da Polícia Civil no fim do texto). Violência e abuso sexual infantil: saiba como denunciar O que mais disse a Polícia Civil O perito esclareceu, ainda, que a cirurgia para correção de malformações como a fenda palatina deve ser avaliada por médico especialista, não sendo possível afirmar, sem análise do prontuário médico e da situação clínica prévia da criança, se já havia indicação cirúrgica, se a cirurgia deveria ter sido realizada naquele momento ou se eventual procedimento dependia de outras avaliações, inclusive por possíveis implicações cardíacas ou por quadro sindrômico associado. Portanto, também não há, por ora, base técnica suficiente para imputar omissão aos responsáveis em razão da ausência de procedimento cirúrgico. Ainda no depoimento técnico, o médico legista afirmou que a hipótese de morte súbita não pode ser descartada neste momento. Explicou que, caso os exames complementares, incluindo exames de patologia das vísceras coletadas, não identifiquem malformação ou outra causa determinante do óbito, a morte súbita deve ser considerada como hipótese plausível, a ser analisada por exclusão. O que se tem, até aqui, é a existência de óbito de lactente com baixo peso e sinais clínicos de desnutrição, associado a condições anatômicas e possivelmente congênitas relevantes, como fenda palatina, micrognatia e crânio reduzido, além da possibilidade de prematuridade e de doença congênita. Tais circunstâncias, conforme esclarecido pelo médico legista, impedem a conclusão segura, neste momento, de que a desnutrição seja proveniente de omissão de cuidado. Informa-se, por fim, que as investigações prosseguirão diante da complexidade do quadro clínico e da necessidade de esclarecimento da causa mortis. VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias





