O conflito entre Rússia e Ucrânia pode gerar um aumento de até R$ 0,84 por litro da gasolina e do diesel, no Distrito Federal. Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicombustíveis-DF), o valor corresponde a diferença no preço do litro da gasolina da Petrobras para o mercado internacional, nesta quarta-feira (2).
Nesta quarta-feira, o preço do barril de petróleo superou a barreira dos US$ 110. Como desde 2016 a Petrobras adota, para suas refinarias, uma política de preços que se orienta pelas flutuações do valor do barril no mercado internacional e pelo câmbio, especialistas apontam que a disparada provoca mais pressão sobre os preços dos combustíveis no Brasil.
De acordo com o presidente do Sindicombustíveis, Paulo Tavares, “é possível que a Petrobras repasse essa diferença nos próximos dias”.
“A Petrobras adota a política de preço do mercado internacional e, no momento, deve estar aguardando o mercado. O governo também pode estar segurando esse preço, no entanto, com a crise, esses preços devem ser reajustados”, diz Tavares.
O último reajuste no preço dos combustíveis foi anunciado em 11 de janeiro. Segundo Paulo Tavares, à época a elevação foi de R$ 0,15, para corrigir essa defasagem. Na semana passada, a Petrobras disse que iria monitorar o impacto da invasão à Ucrânia antes de decidir sobre novos aumentos.
“De terça-feira (1º) para hoje [quarta-feira], a diferença do litro da gasolina brasileira para a internacional, que estava em R$ 0,74, já subiu para R$ 0,84. O diesel, que estava com uma diferença de R$ 0,69 passou para R$ 1”, diz o presidente do Sindicombustíveis.
De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na última semana, entre 20 e 26 de fevereiro, o preço médio da gasolina comum no Distrito Federal era de R$ 6,739.
Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, na quinta-feira (24), muitos países, liderados pelo governo dos Estados Unidos e pela União Europeia (UE), anunciaram sanções internacionais contra o país liderado por Vladimir Putin. As medidas visam isolar a Rússia do mercado global, controlar de forma rigorosa a exportação e impactar diretamente o acesso do país à tecnologia de ponta.
Na prática, as sanções têm o objetivo de enfraquecer a economia russa. Assim, o país fica com menos dinheiro para comprar armas e arsenal para continuar a guerra.
De acordo com o economista Flauzino Antunes, o conflito entre Rússia e Ucrânia vai gerar uma crise de demanda e oferta de petróleo no mundo. A Rússia é a segunda maior produtora de petróleo no mundo, e abastece 25% da Europa.
“Com a falta do petróleo que a Rússia vende para o mundo, a Europa, que é seu principal cliente, vai ter que buscar isso em outros produtores. Então, vai aumentar a demanda e faltar oferta. Isso vai fazer com que o preço da gasolina vá lá pra cima”, diz o economista.
“Alguém vai ficar sem petróleo no mundo, porque aquele fornecimento que iria para a África, por exemplo, vai para a Europa com preço maior. Os continentes vão começar a concorrer e isso vai refletir também no Brasil. Esse não é um conflito apenas da Rússia e da Ucrânia. É um conflito mundial”, afirma Flauzino Antunes. (G1 DF)





