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Venda de vacina contra dengue começa em 2016

 Para escapar da epidemia de dengue que todos os anos castiga milhares de brasileiros, o governo adotou uma saída à francesa. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira a vacina contra os quatro tipos de dengue. Ela é produzida pela Sanofi-Pasteur, a divisão de vacinas do laboratório francês Sanofi-AventisFarmacêutica Ltda. A vacina não imuniza contra outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, como a zika e chikungunya.

É a primeira vacina contra a dengue liberada no País. O Instituto Butantã, São Paulo, e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio, trabalham há anos na produção do medicamento,mas ainda estão longe de atingir seus objetivos. A Fiocruz informou que somente em 2017 ou 2018, os testes serão aplicados em humanos.

A decisão foi publicada ontem no Diário Oficial. Ainda não existe prazo para a vacina ser disponibilizada. “Acredito que até o primeiro semestre de 2016 estará sendo vendida”, afirmou ao DIA, a diretora médica da Safoni-Pasteur, Sheila Homsani.

A baixa taxa de eficácia, em torno dos 66%, e o alto custo do medicamento, cerca de R$85 por cada dose, podem dificultar a incorporação da vacina ao Sistema Único de Saúde (SUS). “Se considerarmos que, de cada mil pessoas vacinadas, 660 estarão protegidas,o índice não é tão pequeno”, disse a médica Sheila. Segundo ela, a vacina pode reduzir em 93% os casos graves de dengue que resultam em mortes, e em 80% as internações. “Isso causa grande impacto na saúde pública”, afirmou.

Sobre o custo da vacina, Sheila explicou que vai depender da quantidade de vacinas adquirida. “ Caso o governo federal inclua a vacinação no calendário público, esse preço vai ser bem menor”, esclareceu. O laboratório francês tem em estoque 100 milhões de doses.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que a decisão de incorporação no SUS será estudada com prioridade e levará em conta critérios como a relação custo x efetividade, eficácia e população alvo. O preço da vacina em território brasileiro será definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos.

“Neste momento, somente o combate ao Aedes Aegypti é eficiente contra a multiplicação dos casos de dengue, chikungunya e zika”.

O Brasil é o terceiro país a aprovar a vacina, depois de México e Filipinas. Nesse países, a questão do preço da dose também é motivo de discussão.

Mutirão de combate ao mosquito chega à grande Tijuca

A Secretaria Municipal de Saúde começou hoje um mutirão contra o Aedes aegypti na região da Tijuca. O trabalho ocorre durante toda a semana e inclui atividades educativas de combate aos focos do mosquito transmissor da dengue, zica e chikungunya.

O principal objetivo é reduzir os criadouros residenciais – estimativas calculam que 80% dos focos estão nas casas. “É o pratinho da planta, a vasilha, a garrafa deixada no quintal, a caixa d’água destampada, qualquer recipiente que possa acumular água vira um criadouro do mosquito”, alerta a superintendente de Vigilância em Saúde, Cristina Lemos. “A melhor forma de se prevenir a dengue, a zika e a chikungunya é combatendo o mosquito”, completa.

O trabalho dos agentes de vigilância ambiental em saúde não para. “Mas eles sozinhos não podem vencer essa luta. Eles precisam da ajuda da população. As pessoas têm que ter a consciência de cuidar do seu próprio ambiente porque 80% criadouros do Aedes aegypti estão dentro das casas”, diz Cristina.
As equipes da Secretaria de Saúde contam com mais de 3 mil agentes de vigilância ambiental. Apenas esse ano foram feitas 9.476 milhões de visitas de inspeção a imóveis em toda a cidade, segundo dados da Secretaria. Os agentes orientam os moradores e acabam com os focos.

A Secretaria já levou o mutirão para outras regiões do município e chegará à Ilha do Governador e Grande Leopoldina já na primeira segunda-feira de janeiro, dia 4. Para ajudar, o morador também pode entrar em contato com a Central de Atendimento da Prefeitura, através do 1746, e denunciar possíveis focos do mosquito.

Agente de saúde mostra lavras de Aedes encontradas durante mutirão de combate à dengue na Tijuca

Foto: Divulgação

5 MINUTOS COM: ALEXANDRE MODESTO

Coordenador Geral de Saúde da Grande Tijuca, Alexandre Modesto, reforça a importância da prevenção para evitar que o verão com altas temperaturas gere uma epidemia de dengue e zika no Rio:

A Anvisa aprovou ontem uma vacina contra a dengue. O senhor acha que ela pode comprometer os mutirões?

O fato de ter a vacina não exime as pessoas de se prevenir da proliferação do vetor. A dengue é um problema coletivo, podemos resolver o problema da dengue com a vacina, mas não a zika e a chikungunya, que são transmitidas pelo mesmo mosquito. É importante pensar na eliminação dos focos principalmente.

Qual a importância de ações como o mutirão?

A região da Tijuca tem o terceiro pior índice do Rio. Queremos evitar uma epidemia, já que temos a previsão de um verão muito quente e com ele muita chuva, o que aumenta a incidência de mosquitos.

A população é engajada e se empenha no combate ao mosquito?

O ideal é que cada um cuide primeiramente de sua casa. É obrigação de cada cidadão também informar às autoridades possíveis focos na vizinhança.

E quando o território é abandonado?

Notificamos o dono três vezes, colamos um aviso na porta, publicamos em Diário Oficial, e só depois entramos. Cria-se uma mobilização enorme, que sai caro aos cofres públicos. Nossa meta é que cada cidadão tenha consciência para que não seja preciso chegar a essas medidas.

Reportagem de Wilson Aquino com estagiária Rita de Cássia Costa 

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