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Nível do Rio Negro desce mais de sete metros em outubro

Leandro Tapajós Do G1 AM 

Criança carrega água para beber no Lago do Aleixo, em Manaus (AM), após a lagoa secar devido a vazante do Rio Negro. Os moradores da região enfrentam dificuldades por não poder pescar e navegar no lago (Foto: Edmar Barros/Futura Press/Estadão Conteúdo)Criança carrega água para beber no Lago do Aleixo, em Manaus (AM), após a lagoa secar devido a vazante (Foto: Edmar Barros/Futura Press/Estadão Conteúdo)

A descida dos rios muda a rotina de ribeirinhos e a paisagem em algumas áreas de Manaus. Nesta quarta-feira (28), o Rio Negro baixou  3 cm e chegou a cota de 15,92 m. De acordo com a medição realizada no Porto Privatizado de Manaus, o nível desceu o total de 7,26 m desde o dia 1º de outubro.

No Centro, Zona Sul e Leste da capital é possível ver o quanto o nível do Rio Negro baixou. Casas flutuantes e barcos de famílias que viviam sobre o rio ficaram encalhados próximo a Ponte do São Raimundo, desde a última semana. Já no Lago do Aleixo, é possível ver a terra – que antes ficava sob a água – rachada. Moradores do local enfrentam dificuldades para pescar e se locomover.

A redução de chuvas e o calor intenso causados pelo fenômeno El Niño contribuem para a rápida queda do nível do rio, segundo especialistas.

De acordo com o superintendente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Marco Antônio de Oliveira, a vazante pode durar algumas semanas. “A atenção tem que ser dada para região do Alto Rio Negro, onde só vai finalizar no mês de janeiro ou fevereiro. A tendência é que o rio continue caindo na região de Barcelos até São Gabriel da Cachoeira. Agora, no Rio Amazonas e Solimões já é um final de vazante. O rio não deve descer mais que no ano de 2010, pelo menos por enquanto”,  disse ao G1.

Escolas
Por conta da cheia e agora da seca dos rios, a solução foi mudar o calendário escolar. Para 3 mil alunos de 29 escolas de Manaus, as aulas começaram em janeiro e vão ser interrompidas no fim deste mês.  A mudança não deve afetar o número de dias de aula.

“O rio é que manda. A seca e a cheia são elas que fazem com que a gente planeje uma educação que possa atender esses alunos em situação diferenciada”, disse Edilene Pinheiro, chefe da Divisão de Educação da Zona Rural, à Rede Amazônica.

Vazante do Rio Negro em Manaus nesta quarta-feira (14) (Foto: Leandro Tapajós/G1 AM)Descida do Rio Negro em Manaus afeta navegação  (Foto: Leandro Tapajós/G1 AM)

Navegação
O emissor de passagens fluviais, Nazareno Marques, de 39 anos, que trabalha na orla da Manaus Moderna – porto no Centro da capital -, afirma que a vazante ajudou a diminuir o fluxo de passageiros nas embarcações.

“A venda deu uma caída por causa da seca e dessa fumaça. Esta muito ruim de navegar. As pessoas estão com medo de viajar. Tem a questão da crise também. Ela afetou essa parte de turismo. P pessoal gostava muito de viajar pra passear, agora atrapalhou bastante.  Atrapalha muito aqui. Atrasa muito as viagens, para longe o barco, fica longe para carregar bagagem até o navio. A gente está esperando uma melhora em novembro e dezembro. Lá pelo dia 15 de novembro o rio deve começar a encher. Ano passado foi melhor, não secou tanto e a crise não estava tanto”, disse Marques.

Barcos estão atracados em meio a barro na Manaus Moderna (Foto: Diego Toledano/ G1 AM)Barcos estão atracados em meio a barro na
Manaus Moderna (Foto: Diego Toledano)

Com a descida dos rios, bancos de areia se formam e prejudicam a navegabilidade no Rio Negro e em outros cursos d’água. Há 10 dias, a Marinha determinou restrições à navegação em um trecho do Rio Solimões, no Amazonas. A medida, que é parcial, ocorre em razão de risco de acidentes com embarcações no período da seca.

O capitão dos Portos, Alfred Dombrow Júnior, decretou impraticabilidade parcial no Rio Solimões, no trecho conhecido como Ilha do Meio, que fica situado a pouco mais 85 km (46 milhas náuticas) no sentido do Terminal Fluvial do Solimões (Tesol), em Coari.

O trecho alvo de restrição é usado como rota por embarcações que escoam parte da produção de petróleo e Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) – gás de cozinha – da província petrolífera de Urucu da Petrobras.

(*Colaborou Indiara Bessa do G1 AM)

Vazante do Rio Negro em Manaus nesta quarta-feira (14) (Foto: Leandro Tapajós/G1 AM)Vazante do Rio Negro muda paisagem em Manaus (Foto: Leandro Tapajós/G1 AM)
Vazante do Rio Negro em Manaus nesta quarta-feira (14) (Foto: Leandro Tapajós/G1 AM)Marcas na Ponte do São Raimundo mostram onde chega o volume de água (Foto: Leandro Tapajós/G1 AM)
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